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Audiência de instrução de naufrágio no Encontro das Águas começa nesta quinta-feira (20) em Manaus

Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais A audiência de instrução do processo que...

Audiência de instrução de naufrágio no Encontro das Águas começa nesta quinta-feira (20) em Manaus
Audiência de instrução de naufrágio no Encontro das Águas começa nesta quinta-feira (20) em Manaus (Foto: Reprodução)

Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais A audiência de instrução do processo que apura o naufrágio da lancha Lima Abreu XV, no Encontro das Águas, em Manaus, começou nesta quinta-feira (20), às 8h30, no Fórum de Justiça Ministro Henoch Reis. O acidente aconteceu em 13 de fevereiro deste ano e deixou três pessoas mortas e outras desaparecidas. A embarcação, operada pela empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. O réu no processo é Pedro José da Silva Gama, apontado como condutor da embarcação. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) pede que ele seja responsabilizado pelo crime de homicídio qualificado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A audiência é realizada pela 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, sob a presidência do juiz de Direito Fábio Lopes Alfaia. A sessão ocorre em formato híbrido, com participação presencial e por videoconferência. Durante a audiência, estão sendo ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Ao final, o réu será interrogado. Das dez testemunhas listadas no processo, duas são menores de idade. Os depoimentos delas serão realizados conforme a Lei nº 13.431/2017, conhecida como Lei da Escuta Protegida, por meio de depoimento especial. Após o encerramento da audiência, será aberto prazo para que acusação e defesa apresentem os memoriais, que correspondem às alegações finais. Depois dessa etapa, o processo ficará pronto para a decisão de pronúncia. Nessa decisão, o magistrado vai analisar se há elementos suficientes para que o réu seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Durante a manhã desta quinta-feira (20), três testemunhas foram ouvidas, sendo duas crianças por escuta especial. Em entrevista à Rede Amazônica, o filho de duas pessoas que seguem desaparecidas no naufrágio disse que as pessoas não vão levar a vida como antes. "A grande verdade que fique registrado que após essa tragédia. Ninguém mais vai levar a vida como antes, todos vão ficar marcados, todo mundo enfrenta como pode, pessoas que até a data de agora ainda não conseguiram se recompor", contou Romualdo Almeida. "Praticamente isso foi uma tentativa de homicídio, porque não faz sentido a forma que foi conduzida essa embarcação. Então a gente fica aí com aquela sensação de impunidade, a gente se apega ao milagre, né?, disse o empresário e sobrevivente do naufrágio, Anderson Campos, que estava com a esposa e dois filhos na embarcação, que também sobreviveram. Buscas por desaparecidos suspensas Em 8 de julho, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) suspendeu as buscas pelos cinco desaparecidos após quase cinco meses de operação. Segundo a corporação, a decisão foi tomada após o esgotamento das possibilidades de localizar as vítimas. As buscas começaram no dia do acidente e contaram com drones, embarcações e equipamentos de sonar para fazer a leitura do leito do rio. Os familiares dos desaparecidos também acompanharam o trabalho das equipes ao longo das buscas. Na ocasião, o CBMAM informou ainda que a corporação permaneceria em sobreaviso e poderia retomar a operação caso surgissem indícios que auxiliassem na localização dos desaparecidos. Além disso, familiares de três desaparecidos solicitaram o boletim de ocorrência da corporação. Segundo o CBMAM, o documento, registrado no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é o primeiro passo para dar entrada no pedido de morte presumida na Justiça. O naufrágio A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro. As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Em seguida, uma operação de resgate foi montada. Um dos episódios que mais chamou atenção durante o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida colocado dentro de um cooler. Para evitar que o recém-nascido tivesse contato direto com a água, familiares colocaram a criança dentro do recipiente, que ficou à deriva até ser encontrado por equipes de resgate. A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi salva. Ambos foram levados para atendimento médico. Testemunhas também relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas. Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou que havia pedido para o condutor "ir devagar". Assista abaixo: Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva Quem são as vítimas Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida quando deu entrada na unidade. Ao g1, familiares de Samila informaram que ela havia viajado para Manaus pela primeira vez e retornava para Urucurituba, cidade onde a lancha faria uma parada. Lara Bianca era natural de Nova Olinda do Norte e estudava odontologia em Manaus. Segundo amigos, ela estava prestes a terminar a graduação. O corpo dela foi resgatado e levado ao pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros, no Porto de Manaus, e depois encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Já o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, teve o corpo encontrado três dias após o naufrágio durante os trabalhos de busca na região. Ligado à música gospel, Fernando era cantor e costumava participar de eventos religiosos realizados na capital amazonense. As apresentações eram compartilhadas nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de legendas onde expressava a fé. INFOGRÁFICO - Naufrágio em Manaus g1